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Busca e apreensão de veículo: o prazo de 5 dias que decide o caso

Quando o veículo financiado é apreendido por decisão judicial, começa a correr um prazo curto e determinante. Entender como funciona a ação de busca e apreensão evita que o bem seja perdido por simples desconhecimento das regras.

O que é a ação de busca e apreensão

É a ação que o banco (credor fiduciário) utiliza para retomar o bem dado em garantia por alienação fiduciária — na maioria dos casos, um carro ou uma motocicleta financiados. O procedimento é regido pelo Decreto-Lei 911/69. Comprovada a inadimplência, o juiz concede uma liminar e o veículo é apreendido; se a situação não for regularizada, a propriedade se consolida em nome do banco, que pode levar o bem a leilão.

O prazo de 5 dias. Depois de executada a liminar, o devedor tem 5 dias para pagar a integralidade da dívida indicada na petição inicial e reaver o veículo livre de ônus. Segundo o entendimento firmado pelo STJ, esse prazo começa a correr da data em que a liminar é cumprida — ou seja, da apreensão — e a "integralidade" abrange as parcelas vencidas e as vincendas, e não apenas as atrasadas.

A comprovação da mora

Antes de ajuizar a ação, o banco precisa comprovar a mora, normalmente por notificação extrajudicial. Essa comprovação é considerada indispensável (Súmula 72 do STJ). Em julgamento de 2023, o STJ definiu que basta o envio da notificação ao endereço indicado no contrato, dispensada a prova de que o próprio devedor a recebeu. Por isso, falhas concretas nessa etapa — como o envio a endereço diferente do que consta no contrato — são um dos primeiros pontos a verificar.

Quando é possível reagir

  • Pagar dentro do prazo para restituição do bem, quando há condição de quitar o valor apresentado na inicial.
  • Vício na comprovação da mora — notificação ausente, irregular ou enviada a endereço incorreto.
  • Valor cobrado a maior — quando os montantes indicados pelo banco não correspondem ao efetivamente devido.
  • Venda antecipada do bem — se a ação for julgada improcedente e o veículo já tiver sido vendido, a lei prevê multa em favor do devedor equivalente a 50% do valor originalmente financiado.

Revisão do contrato em paralelo

Questões como juros, tarifas e seguro embutido, em regra, não são discutidas dentro da própria busca e apreensão, que tem rito estreito. Essas matérias podem ser levadas a uma ação revisional autônoma, muitas vezes acompanhada do depósito das parcelas, com o objetivo de reduzir o valor da dívida. Vale registrar que, para a restituição do veículo na busca e apreensão, o pagamento apenas das parcelas atrasadas não é suficiente.

Documentos úteis para a análise

Costumam ser necessários: o contrato de financiamento, o comprovante e o endereço da notificação, o extrato das parcelas pagas, a petição inicial e o mandado de apreensão, além do comprovante de residência atual.

Tempo é o fator crítico. Como o prazo corre a partir da apreensão, a orientação imediata — nas primeiras horas — é o que preserva as opções disponíveis.
Conteúdo informativo. As alternativas dependem da fase do processo e da análise do contrato e dos valores cobrados. ↑ Voltar ao topo
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